Os principais recortes estarão reunidos aqui. As melhores matérias do UEC, veiculadas nos principais jornais de Salvador, poderão ser lidas e analisadas através do nosso Clipping de matérias. Confira!
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| Produção Cultural na berlinda - Jornal Correio da Bahia - 23/04/2002 |
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Se tem uma coisa que não falta na Bahia, terra pródiga em manifestações culturais, é a figura do produtor.Profissional responsável pela viabilização das mais diversas criações artísticas e culturais vem sendo formado pela experiência do dia-a-dia, atuando, quase sempre, na base do empirismo. Para discutir a função desse profissional e analisar a realidade do mercado de trabalho local, acontece, de hoje até quinta-feira, o I Seminário de produção Cultural da Bahia, idealizado como projeto de final de curso da estudante de produção cultural Fernanda Alves e da estudante de jornalismo Renata Matos, ambas formandas da Faculdade de Comunicação da Ufba.
O seminário, que acontece hoje e amanhã no Teatro Jorge Amado (Pituba) e tem encerramento na quinta, no auditório da Faculdade de Comunicação da Ufba (Ondina), sempre a partir das 19h, será dividido em três momentos. No primeiro dia será discutida a criação e a produção da cultura, com participação da cantora Vânia Abreu, da cineasta Edyala Yglesias, da autora teatral Cleide Mendes e da coreógrafa Leda Muhana.
No dia seguinte, a mesa debaterá o perfil do produtor cultural com Roberto Sant’Ana, profissional da área há 42 anos, Eliana Dumet, presidente da Emtursa, a produtora Virgínia Da Rin e Margot Azevedo, do Núcleo UEC de Produções. O último dia será destinado à formação acadêmica do produtor, com o diretor da Facom, Albino Rubim, Ângela Andrade, que cursou pós–graduação em produção cultural na França, além do coordenador da Faculdade de Produção Cultural da Universidade Federal Fluminense, Gilberto Gouma, e do vice-coordenador, Latuf Mucci. A Facom e a Universidade Fluminense são as únicas instituições brasileiras de nível superior que oferecem o urso de produção cultural.
A idéia do seminário surgiu de Fernanda Alves, que já teve algumas experiências práticas na área da produção cultural. Prestou vestibular para a área porque sentiu falta de fundamentação teórica para a função que exercia. “Na faculdade, aprendi sobre leis de incentivo, políticas de comunicação e assessoria de imprensa, conhecimentos sem os quais não trabalharia com a mesma eficiência”, testemunha.
Apesar de reconhecer a importância do curso, Fernanda considera que a faculdade deveria dar mais atenção à parte prática da profissão. “Para mim, produção cultural é 70% prática e 30% teoria. Se em cinco anos de faculdade, tive duas matérias para realizar eventos, foi muito. Desse jeito, acho que a pessoa que sair da escola vai ter dificuldades para se encaixar no mercado, por isso, pensei nesse seminário”, analisa.
O experiente produtor cultural Alberto Sant’Ana, que trabalha com Gilberto Gil e Fafá de Belém, para dar apenas dois exemplos, concorda. “Já andei conversando com estudantes e acho que eles estão aprendendo uma teoria que não vai servir para o dia a dia. Esse é um defeito do curso. As pessoas estão se formando para um mercado que não existe, que não é regulamentado. Qualquer um entra e sai e basta ser parente de um artista para virar produtor. Muitas vezes estas pessoas, não tem talento”, atesta, ressaltando que não é contra o curso, só acha que a faculdade deveria colocar o aluno em contato com a prática do assunto.
A cineasta Edyala Yglesias, que dirigiu o episódio, Diário do convento, integrante do longa 3 Histórias da Bahia e também atua como produtora dos próprios projetos, acha que existe uma demanda reprimida por profissionais qualificados que sejam capazes de planejar com eficiência toda a trajetória de um produto cultural. “Há gente com talento na área, mas atuando como numa gincana, cheia de tarefas a cumprir. Falta sistematizar o conhecimento, as vezes os poucos recursos que conseguimos acabam se exaurindo em etapas que demandariam maior planejamento”, diz também a favor de uma maior profissionalização na are. O I Seminário de Produção Cultural da Bahia é apoiado pela EU, Gráfica Santa Helena, Com. Estúdio e Correio da Bahia. Os convites podem ser retirados na bilheteria do teatro, das 13h30 às 21h, em troca de um quilo de alimento não perecível.
Diretor da Facom, que abriga o curso de Produção Cultural, Albino Rubim é um dos palestrantes do evento.
Produtor há mais de quatro décadas, Roberto Sant’Ana participa da mesa de discussões de amanhã.
A professora dramaturga Cleise Mendes está entre os debatedores do evento que se estende até a quinta-feira.
A cantora Vânia Abreu dá o parecer do artista logo na abertura do I Seminário de Produção Cultural da Bahia, hoje no Teatro Jorge Amado.
A cineasta Edyala Iglesias fala sobre o tema: “Há gente com talento na área, mas atuando como numa gincana”.
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