Os principais recortes estarão reunidos aqui. As melhores matérias do UEC, veiculadas nos principais jornais de Salvador, poderão ser lidas e analisadas através do nosso Clipping de matérias. Confira!
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| Perfil Nô Brito – Crescimento Meteórico - Jornal Correio da Bahia - 19/05/2002 |
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De Piau Bebido, um minúsculo distrito do município de Prado, no extremo Sul da Bahia, para o mundo. Foi lá que começou, há 46 anos, a trajetória do empresário Nô Brito (na verdade Claudenor, “um palavrão”), dono do curso de inglês UEC, que acaba de lançar um plano de expansão pelo país afora. Esotérico, ele foi orientado por numerologistas a não abrir os números da empresa. Revela apenas que em cinco anos pretende ver a marca UEC em 20 unidades no Brasil. Nada mal para um curso que abriu as portas no início de 1981, numa pequena casa alugada, com seis salas, seis professores, 105 alunos, uma máquina de escrever “e uma vontade enorme de acertar”. Em 20 anos cresceu 4.180% em número de alunos e 3.333% em empregos gerados.
De 97 pra cá, com a inauguração da nova sede da Pituba e do teatro Jorge Amado, um sonho antigo, o crescimento do número de funcionários foi ainda mais significativo, 4.180%. À frente de todo esse patrimônio cultural, Nô orgulha-se de ter conseguido erguer justamente “o curso dos meus sonhos”. Volta e meia repete que “isso aqui é a minha vida”. Solteiro, diz que não teve tempo para pensar em casar e ter filhos. A ansiedade por não perder tempo é visível no empresário, um empreendedor nato e autodidata em todos os sentidos.
Basta olhar para trás e ver como tudo começou: vendendo um único ovo de galinha, dado pelo avô, ainda em Piau Bebido, aos 8 anos de idade. “Com o dinheiro de um eu comprei dois, depois três, depois uma dúzia, depois uma galinha, uma leitoa, seis leitoas, um novilho...” relembra.
Quando a família resolveu mudar para outro distrito, Pirajá, o pai vendeu tudo e ele nunca viu a cor do dinheiro. Mas tinha nascido ali o tino comercial, o desejo de ter o próprio dinheiro. Quem vê hoje a imponência do UEC não imagina que por trás (e à frente) está um ex-vendedor de picolé, engraxate, balconista e vendedor de loja.
A primeira massagem que lembra ter dado no ego foi aos 11 anos, quando usou a primeira calça comprida com camisa de manga comprida, compradas com o próprio dinheiro. Para uma família pobre do interior, com oito filhos, isso era o máximo. Como foi o máximo também, chegar em Itapetinga e se deparar com luz elétrica, ônibus e “um bocado de casa em cima da outra”. Foi o primeiro de uma série de choques culturais. Só comparável à emoção de poder vir a Salvador assistir a shows como “Transa” de Milton Nascimento, em pleno Teatro Castro Alves, ou ir ao primeiro clássico Ba X Vi na Fonte Nova.
Paralela a trajetória de empreendedor, ele construía a de um aficionado pela cultura, pela literatura brasileira. Chegou a repetir várias vezes a última série do primário, só para não deixar de estudar, pois era o único curso disponível em sua cidade. Em Itapetinga pôde recuperar os estudos e concluir o 2º grau, sempre pulando etapas. Foi lá também que conseguiu o primeiro emprego de carteira assinada, como varredor do Armarinho Costa, uma das maiores lojas da cidade. Enquanto varria, no sótão, achou um tesouro: duas caixas de papelão entupidas de duplicatas vencidas, de clientes inadimplentes, já dados como perdidos.
Numa sacada de mestre, Nô Brito propôs cobrar aquelas duplicatas e convidou os antigos clientes a renegociar as dívidas e voltar a comprar na loja. Em sete anos que trabalhou lá o armarinho cresceu e abriu filiais em várias cidades da região. O inglês entrou em sua vida quase por acaso. Amante da pura MPB, “de qualidade e engajada”, ele tinha um ranço contra música estrangeira, com poucas exceções. Foi aí que recebeu de presente, a semente do UEC: uma coleção de discos, dicionário e gramática para aprender inglês. Nô tomou gosto e aprendeu sozinho.
Em 77 veio para Salvador estudar. Passou em sucessivos vestibulares para ciências contábeis, arquitetura, engenharia e língua estrangeira. Abandonou todos os cursos, decepcionado. Só o curso de inglês ele fez até o final, com vários mestrados, mas sempre inconformado com a falta de visão dos empresários do setor. Para sobreviver dava aulas particulares de matemática. Até que juntou tanto aluno que não tinha mais como correr a cidade atrás deles e resolveu alugar uma sala.
Por coincidência, conheceu uma estudante de administração e vendedora de “muamba” que também queria uma sala para depositar sua mercadoria. Na tampa ele propôs: “Vamos abrir uma escola?”. A resposta foi ainda mais inesperada: “Vamos. De quê?” E o professor de matemática respondeu: “De inglês”.
Era o dia 3 de novembro de 1980 e no dia 29 do mesmo mês já estava publicada no Diário Oficial a existência do UEC. As aulas começariam em março. Quanto aos “350 dinheiros” que cada sócio precisava para integralizar o capital da empresa, a parte de Nô foi conseguida junto a um banco, tendo como avalista o primeiro patrão, Getúlio Gomes, aquele do armarinho.
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